Como é trabalhar (com Marketing Digital) fora do Brasil

Há três anos me mudei pra Londres sem nenhuma esperança de conseguir me recolocar no mercado de Marketing Digital fora do Brasil. Eu (prazer meu nome é Carolina, mas pode me chamar de Carol) trabalho com Redes Sociais, Marketing Digital, Branding e Conteúdo há quase 10 anos. Sou de Brasília, morei e trabalhei no Rio a vida toda, onde construí minha carreira, fiz conexões, tive experiências em diversas áreas do Marketing e Jornalismo até que há três anos me mudei pra Londres, onde vivo hoje.

Processed with VSCO with f2 preset

Processed with VSCO with f2 preset

Como eu falei ali em cima, quando cheguei aqui eu achava que nunca ia conseguir arrumar um emprego na minha área. Sabe como é, quando a nossa experiência está diretamente ligada ao nosso idioma é complicado.

Mas, pra minha surpresa, não foi nada complicado pra mim. O mais difícil foi me mudar e lidar com emoções. Mas disso eu posso falar em outro texto porque o assunto é vasto.

Voltando: Eu encontrei a minha vaga aqui no LinkedIn. A descrição não poderia ser mais perfeita: “Procuramos um profissional com vivência no Brasil, domínio do português e experiência em Redes Sociais e Marketing Digital. Eu já tinha preparado meu CV pra este momento, fiz um portfólio bem legal e uma bela carta de apresentação. Me candidatei, fiz a entrevista e foi assim que fui parar no Hostelworld, onde trabalho até hoje.

Assim a gente chega ao assunto principal deste texto: Como é trabalhar com Marketing Digital fora do Brasil? Bem, deixa eu te contar algumas coisas que aprendi com a minha experiência pessoal.

A grama do vizinho é sempre mais verde. Só que não

Sério, gente. Eu sempre tive esta ideia de que o mercado de Marketing e Publicidade fora do Brasil era uma extensão do que parece ser o SXSW, um verdadeiro pólo de inovação e liberdade a cada esquina. E pode até ser que os EUA sejam sim isto tudo – mas aqui no Reino Unido não é bem assim que a banda toca não.

O Brasil é melhor. Na minha opinião, claro.

No nosso país a gente está mais preocupado com resultados reais, impacto nas vendas e com ROI – não só aqueles números bonitos que o povo coloca nas apresentações. Em todo lugar do mundo vai sempre ter marketeiro querendo ganhar mais Cannes do que mostrar serviço, mas em comparação eu acho que a gente é melhor.

Também vejo o Brasil na frente em termos de criatividade, soluções mais integradas, profissionais mais modernos e com pensamento prafrentex.

E não digo isso pensando só na minha experiência pessoal não. Quando converso com amigos daqui e de outros lugares do mundo eles demonstram frustração ao perceber que o mercado em Londres não é tudo que eles imaginavam. E quando falo de projetos que trabalhei no Brasil, a galera sempre se interessa, acham incrível.

Nada como um orçamento em Libras £££

Se a gente já manda bem em Real, imagina em Libra! O dinheiro dos caras vale cinco vezes mais. Cinco vezes!

Tá, isso não quer dizer que os resultados são cinco vezes maiores que o do pessoal do Reino Unido. Isso não acontece porque:

  1. O Brasil é um país caro.
  2. Tem muita gente boa e criativa, ou seja, extremamente competitivo.
  3. O orçamento em libras que eu tenho não compete com o orçamento inteiro de uma empresa brasileira que está colocando todos os seus setores pra trabalhar pelo mesmo objetivo.

Mas o que acontece é que se você isolar só a área de Redes Sociais por exemplo, com menos esforço você vê resultado duas vezes melhor do que o do amiguinho do lado de país europeu. Daí você coloca na equação o seu brasileirismo criativo, esforço e o nosso comportamento altamente engajado nas redes sociais e o resultado é sempre lindo de se ver.

Claro que este tópico só se aplica pro caso de você estar fora, mas trabalhando pro mercado brasileiro. Como este é o caso de muita gente, resolvi mencionar.

As diferenças culturais existem – e muito! – Mas não do jeito que a gente pensa

Eu sempre achei que ia enfrentar diferenças culturais do tipo: “alemães são mais pragmáticos”, “ingleses são mais pontuais” e por aí vai. Mas não é necessariamente assim que rola. Existem diferenças muito mais sutis e difíceis de enfrentar. A forma como falamos, nossos maneirismos, com quem nos relacionamos, como lidamos com situações difíceis: tudo é impactado pela forma que fomos moldados no nosso país de origem e, sem perceber, você acaba o dia estressado ou frustrado sem entender o porquê.

Vou dar um exemplo. Nos meus primeiros meses em Londres eu precisava abrir uma conta no banco. Sendo brasileira (e não europeia), eu enfrentava uma enorme resistência dos bancos pra abrir conta pra mim, mesmo eu tendo um visto que me dá os mesmos direitos que qualquer outro europeu. Pois bem. Eu sempre chegava no RH da minha empresa super frustrada e como boa latina que sou, eu explicava pra eles toda a resistência que eu tava enfrentando com riqueza de detalhes e pedia que me dessem uma carta de recomendação pro banco. Afinal, o RH estava me pressionando pra passar os dados bancários pra que pudesse receber meu primeiro salário e eu precisava engajar os caras com o meu problema pra que eles me dessem a tal carta. Eu explicava, contava a reação dos bancos, contava como eu me sentia e quando eu terminava o cara do RH me olhava, mudo, com cara de jogador de poker profissional. Eu olhava pros lados, sem entender porque ele não reagia e me ajudava, me dava um conselho, um abraço, aperto de mão, qualquer coisa. E claro, a carta.

Até que, sei lá, na terceira vez que eu fui conversar com o cara do RH, ele me respondeu: “O que você quer?”. Eu juro que queria chorar nesta hora. Pensei “Que isso, amigo, não precisa de grosseria”. Mas ok, né. Eu respondi “Uma carta de recomendação.” Ele disse “OK”, fez a porcaria da carta e me deu.

Depois de muito tempo eu fui entender que aqui você não precisa engajar ninguém, a menos que seja realmente um favor. Sério, no Rio até pra pedir uma água eu fazia amizade com o garçom. Aqui você tem que ir direto ao ponto, se não as pessoas ficam sem entender o que você quer. Não é que elas sejam diretas demais, rudes ou que não gostem de fazer amizade. É uma diferença cultural. Você tá com sede e tá no bar? Pede uma água. Tá precisando de uma carta pra levar no banco? Pede a carta.

Trabalhar em outro idioma cansa MUITO

Este é um desafio que eu até hoje não superei. O domínio da língua faz uma diferença danada e, mesmo que eu já me considere fluente em inglês, não dá nem pra comparar com o português.

Em um ambiente de trabalho é importante que a gente faça esforço pra ser diplomática, profissional, mostrar familiaridade com os assuntos que estamos tratando, ser amigável, etc. E se já é complicado lidar com tudo isso na sua língua mãe, imagina em outro idioma. Cansa muito!

Chega no fim do dia eu sinto que estou duplamente cansada. Mas apesar de ser um desafio gigantesco – pelo menos pra mim – é também muito recompensador. A sensação de estar evoluindo na fluência de um idioma em um ambiente profissional é muito maravilhosa!

Além dessas quatro coisas que listei, tenho certeza que existem outros aprendizados que não vivenciei ainda (ou apenas não estou lembrando). Vou manter meu Evernote no celular sempre alerta e ir complementando este texto.

Alguém que trabalha com Marketing fora do Brasil se identificou ou teve outros aprendizados? E quem não trabalha fora, se surpreendeu com os assuntos que eu tratei ou foi exatamente como você previu ao ler o título deste post? 

Vamos conversar nos comentários! 😃  

Anúncios

Quando as peças se encaixam

 

 

“Qual o seu maior medo?” Este era o tema de um debate normal de sexta-feira no Whatsapp com duas amigas, a Carla e a Débora.

Entre uma reflexão e outra, entrei no Youtube e me deparei com este vídeo.

É num momento como este que a gente duvida do próprio ceticismo. Como dizer que “foi só coincidência”? Não dá.

Taí a resposta sobre todos os nossos questionamentos sobre medo. E já tenho o próximo livro que mais quero ler em 2016. Big Magic, man. Big Magic.

Mas o negócio quando é bom, não para por aí. O Youtube deu o play automático neste outro vídeo e… PORRA, moça.

Você não cansa de ter tanta sabedoria não?

Obrigada por encaixar tantas peças na minha cabeça em 1h hora. De graça, ainda por cima.

O curso de fotografia que perdi, mas ganhei

Good Vibes

Outro dia fui eu e minha colega de trabalho fazer um curso de fotografia pelas ruas de Shoreditch, aqui em Londres.

Chegamos no lugar marcado e nada da turma aparecer.

Entramos no nosso email e descobrimos que erramos o dia. O curso tinha acontecido no final de semana anterior.

Arrasadas, devastadas, sentamos no chão no meio da rua, sem saber o que fazer.

Daí chegaram mais duas meninas pra um curso de fotografia. Pensamos: deve ser a turma deste fim de semana, vamos conseguir fazer de boa.

Falamos com o professor, ele deixou de boa.

Tá.

Tirei algumas poucas fotos, que podem não parecer nada demais, mas pra mim são. Porque o cara me ensinou a usar a minha câmera propriamente, coisa que eu nunca consegui aprender, mesmo depois de ter até ganhado uma graninha fazendo aniversários de crianças.

Aprendi a focar, a mudar as configurações rápido quando a luz mudava, coisas bem valiosas pra mim.

Old Spitafields Market - Londres

E em algum ponto da aula descobri que o professor, na verdade, nem era do mesmo curso. Ele trabalhava como freelancer e dava umas aulas em alguns finais de semana. O cara não ganhou nenhum dinheiro com nós duas. Tava ensinando por amor mesmo.

E eu, que perdi um curso, ganhei outro. Outro com certeza muito melhor, que além de me ensinar fotografia em si, também me deu uma bela lição de vida e amor ao que se faz.

Shoreditch - Londres

Girl - Londres

Shoreditch - Londres

Coffe - Old Spitafields

Hashtag gratidão.